A velha e a nova bioeconomia. Entrevista especial com Geraldo Sant"Ana Camargo Barros

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25 Julho 2007

A “velha” e a nova bioeconomia é o título do artigo publicado recentemente no site do CEPEA pelos professores Geraldo Sant`Ana Camargo BarrosRaul Machado Neto. O texto relata os desafios que o desenvolvimento sustentável encontra no interior desses formatos da bioeconomia criados no Brasil e no mundo, além de descrever a força do que chama de nova bioeconomia nos últimos anos. A IHU On-Line entrevistou Geraldo Sant`ana Camargo Barros, por e-mail.

Na entrevista, Geraldo fala sobre a atuação da nova bioeconomia nos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos e o papel do agronegócio e dos pequenos produtores dentro dessa nova bioeconomia. Geraldo diz que “O agronegócio está intimamente ligado à `nova` bioeconomia, pois essencialmente seu processo produtivo lida com a vida de plantas e animais” e reduz custos, produzindo alimentos mais nutritivos, sadios e baratos.

Geraldo Sant`Ana Camargo Barros é agrônomo formado pela USP. É mestre em economia agrária pela mesma universidade. Na North Carolina State University at Raleigh, nos Estados Unidos, doutorou-se em Economia. Realizou pós-doutorado na University of Minnesota, EUA, e obteve livre docência na Universidade de São Paulo.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Quais são os desafios que o desenvolvimento sustentável encontrou na velha e na nova bioeconomia? O que há em comum entre a nova e a velha bioeconomia?

Geraldo Sant`Ana Camargo Barros - Tanto a “nova” como a “velha” bioeconomia visam à sustentabilidade nos uso dos recursos disponíveis no planeta, ou seja, não depreciar o patrimônio que será legado às futuras gerações. A “velha” bioeconomia era caracteristicamente pessimista: as alternativas futuras de vida são necessariamente menores e piores, ou seja, os mais ricos não vão sacrificar seu bem-estar para possibilitar melhor bem-estar para os mais pobres.

A “nova” bioeconomia tem um tom otimista, contando profundamente com os novos conhecimentos da Biologia e das biotecnologias já disponíveis ou em perspectiva de ser produzidas. Aqui não há necessariamente uma disputa entre ricos e pobres, mas possibilidades de todos prosperarem, se usarem as tecnologias apropriadas. A questão é se tais tecnologias ficariam disponíveis a todos.

IHU On-Line - Quais são os principais motivos para que a bioeconomia tenha ressurgido com tamanha força nos últimos anos?

Geraldo Sant`Ana Camargo Barros - O desenvolvimento das Ciências Biológicas, nas últimas décadas do século XX, desencadeou o ressurgimento da bioeconomia. Das Ciências Biológicas esperam-se desdobramentos tão ou mais importantes no século XXI do que os avanços que a Física teve no século XX: meios de comunicação, exploração espacial, equipamentos em geral e na área de saúde em particular etc.

Da biotecnologia esperam-se avanços na saúde, tais como remédios, vacinas, qualidade de alimentos; na produção agropecuária, como variedades resistentes a doenças e pragas, e mais produtivas, que dispensem agroquímicos; e no controle da poluição, pela ação de organismos e enzimas, bioenergia.

IHU On-Line - O senhor acha que a velha bioeconomia se aplicaria atualmente ou foi realmente necessária uma reestruturação?

Geraldo Sant`Ana Camargo Barros - A “velha” bioeconomia não pode jamais ser relegada. Os recursos do planeta são limitados, a sustentabilidade deve ser uma permanente preocupação e os povos devem buscar desenvolvimento harmonioso (não é sustentável a convivência entre civilizações tão díspares), reconhecendo a mútua interdependência.

IHU On-Line - O senhor acha que os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento podem crescer sustentavelmente com a “nova” bioeconomia?

Geraldo Sant`Ana Camargo Barros - As novas tecnologias somente desempenharão os efeitos desejáveis se elas forem repartidas entre os povos. O efeito estufa é global e as ameaças de epidemias, como a febre do frango, a “vaca louca” e a Aids, são globais. A preservação da Amazônia pelo Brasil tem importância global. A escassez de petróleo é global e ameaça a paz mundial. Dessa forma, não há alternativa à criação de uma ordem mundial que garanta acesso às novas tecnologias e capacitação para seu uso.

IHU On-Line - Qual o papel do agronegócio nessa nova bioeconomia? E dos pequenos produtores?

Geraldo Sant`Ana Camargo Barros - O agronegócio está intimamente ligado à “nova” bioeconomia, pois essencialmente seu processo produtivo lida com a vida de plantas e animais. Seu desenvolvimento tem sido vinculado à biotecnologia. São as descobertas de aplicações do processo biológico em novas situações que conduzem o processo. São variedades e raças precoces ou tardias, mais produtivas, resistentes a doenças e pragas, que dispensam agroquímicos, que economizam terra, poupam matas, reduzem a erosão e evitam a poluição da água e do solo. Enfim, reduzem custos e produzem mais alimentos, que são mais nutritivos e sadios, além de mais baratos. Isso não é sonho, pois estamos testemunhando tudo hoje.

IHU On-Line - Qual é a influência do governo nessa “nova” bioeconomia para o desenvolvimento sustentável do Brasil?

Geraldo Sant`Ana Camargo Barros - O governo deve apoiar o desenvolvimento de novos conhecimentos e tecnologia, dando suporte financeiro quando necessário e estabelecendo regras e normas institucionalizadas. A estrutura coordenada por uma comissão de especialistas despolitizada e autônoma - que mantenha intercâmbio com similares no exterior e com organismos internacionais vinculados à ONU - tem tudo para cumprir adequadamente a coordenação necessária.

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