Papa prega a paz, em meio a sinais de conflito

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30 Abril 2017

Neste sábado, ao rezar uma missa num estádio de futebol de propriedade do (e administrado pelo) todo poderoso exército egípcio, e cercado por um forte protocolo de segurança, o Papa Francisco deu continuidade à sua campanha pela paz em um país frequentemente marcado pelo conflito político e religioso, insistindo que o único fanatismo que agrada a Deus é o fanatismo da caridade.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 29-04-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

No sábado, o Papa Francisco deu continuidade à sua campanha de promoção da tolerância e do pluralismo numa terra, e região, frequentemente marcada pela violência e pelo extremismo religioso, dizendo aos egípcios que “o único fanatismo que os crentes podem ter é o da caridade”.

“Qualquer outro fanatismo não vem de Deus e não lhe agrada”, insistiu o pontífice durante a homilia rezada na região central do Cairo.

“A verdadeira fé é a que nos torna mais caridosos, mais misericordiosos, mais honestos e mais humanos”, disse. “É a que anima os corações, que nos leva a amar a todos gratuitamente, sem distinção e sem preferências; é a que nos leva a ver no outro, não um inimigo a vencer, mas um irmão a amar, servir e ajudar; (…) Não tenhais medo de amar a todos, amigos e inimigos, porque, no amor vivido, está a força e o tesouro do crente”, completou o pontífice.

O próprio local desta liturgia, no entanto, apresenta sinais da distância em que a realidade do Egito contemporâneo se encontra desta visão pacífica trazida pelo papa.

Tecnicamente chamado de Estádio da Aeronáutica Militar, o local com capacidade para 30 mil pessoas é de propriedade – e é operado – pelos militares egípcios, e foi escolhido em parte pela possibilidade de impor fortes medidas de segurança para a visita papal.

Os organizadores também disseram à imprensa que este local era maior do que o estádio alternativo para o evento, o que permitiu que mais pessoas participassem da missa.

Polícias uniformizadas foram postas ao longo do trajeto que o papa faria, e carros e táxis foram proibidos de parar. A polícia usou detectores de metais para revistar os veículos em busca de explosivos.

Nos últimos anos, o lugar ficou conhecido como o “Estádio 30 de Junho”, em referência a um levante popular em 2013 que derrubou o governo da Irmandade Muçulmana que liderava o país, pavimentando o caminho para que o ex-chefe do exército, Abdel Fattah al-Sisi, assumisse o poder.

O nome em si, portanto, já é um lembrete das divisões políticas e sociais por vezes violentas que atravessam o país.
Nesse contexto, a homilia deste sábado do papa pediu que os egípcios aproveitem o poder de Deus para transformar situações aparentemente sem esperança em momentos de graça.

“Não tenhais medo de abrir o vosso coração à luz do Ressuscitado e deixai que Ele transforme a vossa incerteza em força positiva para vós e para os outros”, disse Francisco.

“Não tenhais medo de amar a todos, amigos e inimigos, porque, no amor vivido, está a força e o tesouro do crente”.
Francisco insistiu que autêntica fé religiosa jamais deve ser motivo para o conflito.

“A verdadeira fé é a que nos leva a proteger os direitos dos outros, com a mesma força e o mesmo entusiasmo com que defendemos os nossos”, disse. “Na realidade, quanto mais se cresce na fé e no seu conhecimento, tanto mais se cresce na humildade e na consciência de ser pequeno”.

Embora o papa estivesse falando no contexto de uma missa católica, as suas palavras provavelmente serão interpretadas como sendo dirigidas a todo mundo, inclusive a maioria muçulmana que compõe o país.

Este foi o segundo dia da visita ao Egito feita pelo papa, marcando a segunda vez que um pontífice vai ao país, sendo a primeira vez em 2000, com João Paulo II. Na sexta-feira, o papa iniciou a sua estada no Cairo visitando a mesquita e universidade de Al-Azhar, considerado o centro mais prestigiado de aprendizagem e cultura do mundo muçulmano sunita. Na ocasião, proferiu as suas palavras mais duras até o momento ao mundo islâmico ao se referir à urgência de enfrentar a violência e o terrorismo.
Falando diante de um congresso sobre a paz, Francisco insistiu que os líderes religiosos devem “desmascarar o mal que se disfarça como santidade”.

Ainda que estas palavras atraíram uma forte rodada de aplausos, inclusive do Grande Imã Ahmad al-Tayeb, muitos cristãos locais permanecem céticos quanto à sinceridade dos clérigos islâmicos no país em lutar contra forças terroristas.

“A mudança vem muito, muito, muito lentamente, e por vezes é só para se mostrar”, disse o Padre Rafic Greiche, porta-voz da Igreja Católica local em entrevista recente.

“Essa é a minha opinião pessoal, não é a opinião da Igreja, mas eu conheço essas pessoas muito, muito bem”, completou Greiche. “Essas ações deles são só para mostrar que estão abertos, que são pessoas de diálogo, etc., mas, no fundo, não é bem assim”.

Baseando este seu chamado no relato evangélico dos dois discípulos que encontram Jesus ressuscitado na estrada para Emaús, Francisco instou os egípcios a acreditarem que, com Deus, sempre é possível haver surpresas.

O Papa Francisco foi recebido para a missa no sábado pelo Patriarca Ibrahim Isaac Sedrak, líder da Igreja Católica Copta, em nome dos vários ritos católicos e das igrejas presentes no país. Antes de se dirigir ao estádio, o pontífice cumprimentou um grupo de crianças estudantes de uma escola no Cairo administrada pelos missionários combonianos.

Apesar das fortes medidas se segurança, a atmosfera entre os aproximadamente 25 mil fiéis que estiveram presentes no estádio no sábado foi festiva, com muitos deles gritando, cantando e acenando bandeiras. Nesta sociedade esmagadoramente muçulmana, expressões públicas assim, de identidade cristã, são bastante raras, e muitos cristãos descreveram a missa como um momento de orgulho.

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