Sínodo. Uma porta que se abre para o novo. Entrevista especial com Andrea Grillo

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08 Novembro 2015

"A 'continuação do Sínodo' levará a um documento (Exortação ou Encíclica) com o qual a teologia da família será traduzida em uma nova linguagem, corajosa e leal, audaciosa e a serviço de uma verdadeira comunicação da fé", afirma o teólogo leigo e casado.  

Foto: www.a12.com

Há quem diga que o Sínodo dos bispos sobre a família, que teve sua assembleia realizada no Vaticano em outubro, não trouxe mudanças em seu relatório final. Entretanto, o teólogo italiano, leigo e casado, Andrea Grillo destaca que é preciso ir além dos resultados imediatistas para, de fato, entender o saldo desse encontro. “O fato de que o Sínodo, no final, não está fechado para o novo, é um grande sinal de esperança e de visão que o Papa Francisco deixa, de forma sábia e profética”, destaca. Grillo também destaca que é necessário entender que a discussão não se encerra com o documento final. Pelo contrário, é o começo da abertura de uma nova perspectiva. “Estou convencido de que, para além do documento elaborado, que continua a ser provisório e preparatório para outras decisões, o encontro e a discussão fez bem a todos e também permitiu o surgimento da ‘verdadeira face’ de muitos personagens que aparentemente são autoridades”, completa, ao referir a disputa de poder e perspectiva doutrinária presentes no encontro.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line cerca de duas semanas depois do encerramento do encontro, o italiano analisa em detalhes movimentos que indicam novas perspectivas provocadas pelo Sínodo. “Somente agora podemos encontrar a liberdade de uma linguagem positiva sobre casamento e a família. Podemos, sobretudo, diminuir o nível de ‘ficção’ e de ‘idealização’ da família. A Igreja, idealizando o casamento, agride o mundo moderno e, infelizmente, agride também a vida de muitos homens e mulheres”, frisa.

Grillo também reflete sobre as polêmicas em torno de acontecimentos paralelos ao Sínodo. “Esses fatos são indícios sérios que provam que o establishment eclesiástico, onde é exercido o poder real, tem medo das reformas de Francisco e também manifesta de modo desorganizado a sua ‘malaeducacion’”, analisa. Sobre se o Papa sai fortalecido ou não desse cenário (suposto tumor, revelação de homossexualismo na Cúria  (caso Charamsa) e oposição de bispos em meio ao Sínodo), sintetiza: “com tudo isto, Francisco parecia calmo e quase se divertia. Sem subestimar os complôs, ele parece vivenciar tudo isso de forma distante, preocupado com outras coisas, muito mais essenciais”.

Andrea Grillo é filósofo e teólogo italiano, leigo, especialista em liturgia e pastoral. Doutor em Teologia pelo Instituto de Liturgia Pastoral, de Pádua, é professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, de Roma, do Instituto Teológico Marchigiano, de Ancona, e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Giustina, de Pádua. Também é membro da Associação Teológica Italiana e da Associação dos Professores de Liturgia da Itália.

Confira a entrevista.

Foto:
anticattocomunismo.wordpress.com

IHU On-Line - Como o senhor avalia todo o processo do Sínodo [1], desde a sua preparação até o encontro em si? A Igreja entendeu o princípio da colegialidade, tão presente no Papa Francisco?

Andrea Grillo - A fórmula da "consulta" — animada pelo bom espírito de "inclusão de todos os membros da Igreja" — necessita de grandes esclarecimentos. As perguntas foram muitas vezes redigidas de forma vaga ou ideológica. A aceitação por parte da comunidade não foi estrutural e confiada à boa iniciativa dos bispos e sacerdotes. Um dos casos particularmente surpreendente: o relator geral do Sínodo, tanto da Sessão Extraordinária de 2014 quanto na Ordinária de 2015, durante a fase intermediária, recusou-se a distribuir o questionário na sua diocese em Budapeste. Esta situação desagradável, que demonstra a falta de preparo pastoral e de qualidade clerical de uma série de arcebispos, radiografa o ponto mais baixo, e quase indescritível, de uma iniciativa que merece louvor, mas ao contrário, terá de ser formulada de forma mais adequada e menos formal.

Mas as dificuldades do questionário são diretamente proporcionais às dificuldades de uma madura e séria cultura da colegialidade. Durante séculos, formamos e alimentamos indivíduos "monocráticos": por que agora estes mesmos filhos criados em vista de uma cultura monocrática desejariam o confronto e a disputa em relação ao diálogo com os outros? Preferem se esconder atrás de uma "doutrina monolítica" e bastante "petrificada", como os seus corações. Este modelo de bispo, infelizmente presente no Sínodo, deveria falar sobre tudo, exceto sobre a família, pois pouco a entendem e falam dela sem tato e sem experiência.

IHU On-Line - O Papa sai mais fortalecido do encontro?

Andrea Grillo - Apesar dessas e muitas outras dificuldades, o Papa Francisco pode sair deste Sínodo com um resultado duplo: de um lado ele confrontou os bispos, quase os forçando a se expor. Por outro lado, recebeu um "mandato" amplo e compartilhado — ao menos em linhas gerais — para que tivesse um efeito profundo sobre a pastoral do matrimônio. Mas a grandeza profética das suas palavras tem se destacado sobre os discursos insignificantes ou alucinados de alguns bispos. A palavra do Papa e outros bispos iluminados fez com que esquecesse a má impressão causada pelos arcebispos e cardeais, que propuseram comparações irresponsáveis e julgamentos desequilibrados sobre o mundo e a história.

“Durante séculos, formamos e alimentamos indivíduos "monocráticos": por que agora estes mesmos filhos desejariam o confronto e a disputa em relação ao diálogo com os outros?

IHU On-Line - Quais foram os pontos centrais da fala do Papa Francisco no encerramento do Sínodo? Como interpretá-la?

Andrea Grillo - O Papa, no encerramento do Sínodo, chamou a atenção sobre dois pontos essenciais: primeiro, a disponibilidade da Igreja em se deixar guiar pelo seu Senhor ao longo das estradas inéditas e desconhecidas. Não é preciso ter medo em deixar-se conduzir pelo Espírito, que sopra onde quer. Por outro lado, o Papa censurou todas as formas rígidas da tradição. Algumas palavras parecem libertadoras em relação ao resultado do discurso sinodal.

IHU On-Line - Qual sua interpretação do Relatório Final do Sínodo? O que ele revela acerca do pontificado de Francisco? Como ele pode impactar nos rumos da Igreja?

Andrea Grillo - O relatório final expressa, com grande esforço, mas com clareza, a "retirada de uma proibição”. O texto não fala, de forma alguma, em proibir a inclusão dos divorciados que se casam novamente com o ritual eucarístico, sob certas condições. Desta forma, após o passo dado por João Paulo II [2], que concedia aos divorciados em segunda união a "comunhão eclesial", agora o Sínodo em seu documento final "já não nega a comunhão eucarística". Isto me parece um resultado muito importante, embora mínimo, junto à possibilidade de falar uma língua mais concreta e menos jurídica. Mas nem sempre o documento está à altura da situação. Parece paradoxal quando, por exemplo, na primeira parte, pede insistentemente que os "políticos" façam as possíveis reformas legislativas e morais, mas, por outro lado, os bispos não falam explicitamente de nenhuma reforma eclesiástica! Pedem tudo aos outros, mas não estão dispostos a mudar nada no seu mundo. Isto não é uma forma grave de autorreferencialidade?

IHU On-Line - O pontificado de Bergoglio é apoiado nos ideais de misericórdia, perdão, conversão. Como esse e outros conceitos bergoglianos orbitaram no Sínodo? E em que medida fez avançar o debate acerca da família?

Andrea Grillo - Antes de tudo, os conceitos de Bergoglio não são "ideais", mas estão em sintonia com a palavra exigente do Evangelho, relida na visão serena e profética do Concílio Vaticano II [3]. O Evangelho não é a negação do mundo, mas a sua salvação. É por isso que vale a pena reunir os bispos, para que discutam sobre a tradução da doutrina do casamento no contexto atual. O avanço é objetivo. Contanto que se possa sair do paradigma apologético antimoderno, de que foram vítimas os últimos Papas João Paulo II e Bento XVI [4], de forma mais ou menos evidente.

IHU On-Line - Havia grande expectativa no encontro com relação aos temas como comunhão de casais em segunda união, métodos contraceptivos, união homoafetiva e homossexualidade e o espaço e papel da mulher na Igreja. Como o senhor analisa as discussões acerca desses temas e como avalia sua incidência no relatório final?

Andrea Grillo - O relatório final por razões estratégicas e de “tática sinodal” evitou enfrentar as questões sobre as quais os bispos estavam mais divididos. Por isto, não existe muita coisa sobre os “tópicos quentes". Mas estou convencido de que, para além do documento elaborado, que continua a ser provisório e preparatório para outras decisões, o encontro e a discussão fez bem a todos e também permitiu o surgimento da "verdadeira face" de muitos personagens que aparentemente são autoridades. O autoritarismo que se passa por autoridade e o fundamentalismo que se mostra como fidelidade agora têm nomes e sobrenomes, de forma mais clara do que antes.

“Somente agora podemos encontrar a liberdade de uma linguagem positiva sobre casamento e a família

 

IHU On-Line - De que forma podemos interpretar as disputas, as forças que estavam em jogo no Sínodo? Como essas disputas se materializam no relatório final?

Andrea Grillo - Enquanto isso, algumas disputas eram e são inevitáveis e até mesmo saudáveis. Pensar que a comunhão significa "todos estão de acordo" demonstra um conhecimento bem abstrato da comunhão. Algumas das forças em jogo temiam o confronto e a discussão. Então, tentaram antecipá-la e marginalizá-la. No relatório final este "jogo destrutivo" foi amplamente superado, mas aparece na "brevidade do texto", o que, pelo menos em algumas partes, é "pura referência a si mesmo"; ou seja, ao documento papal que virá. Exercer a colegialidade para depois renunciar a ela, não é uma manifestação extraordinária de coragem e responsabilidade.

IHU On-Line - Em que medida é possível afirmar que o Sínodo abre uma nova temporada, um novo período na Igreja?

Andrea Grillo - Claro, depois do Sínodo, como disse o Papa Francisco, “a palavra família não é mais a mesma”. E é verdade. Superadas as primeiras batalhas, podemos abandonar um estilo defensivo e de condenação. De Casti Connubii [5] de Pio XI [6] até a Familiaris Consortio [7] de João Paulo II, com a parcial exceção do Vaticano II, tivemos muitos documentos que fazem da família e do casamento um campo de batalha com a civilização moderna. Já Familiaris Consortio muda em parte este comportamento, mantendo-se em uma lógica apologética.

Somente agora podemos encontrar a liberdade de uma linguagem positiva sobre casamento e a família. Podemos, sobretudo, diminuir o nível de "ficção" e de "idealização" da família, estilo que o Papa Francisco, citando Freud [8], reconduziu a "uma forma de agressão." A Igreja, idealizando o casamento, agride o mundo moderno e, infelizmente, agride também a vida de muitos homens e mulheres. Para evitar esse estilo agressivo e injusto será necessário diferenciar a disciplina em grandes zonas continentais. A "descentralização" será inevitável para interceptar as verdadeiras instâncias do casamento e da família, exigindo atenção escrupulosa em relação ao Evangelho e à cultura.

IHU On-Line - Em que medida o desafio de “traduzir a tradição” foi cumprido pelo Sínodo?

Andrea Grillo - Eu acho que este Sínodo foi um bom exemplo da difícil arte, que constitui a Igreja na sua identidade de "discípula" e "serva": receber após tantas gerações a "boa palavra" sobre o casamento e devolvê-la às que virão enriquecidas pela nossa história e pela nossa experiência. A Igreja fez isso durante muitos séculos. Somente nos últimos dois séculos começamos a pensar que a tradição não é um "jardim a ser cultivado”, mas um "museu a ser preservado." — de acordo com a feliz expressão com a qual João XXIII [9] abria o Vaticano II.

Por isso, hoje, diante de tantas dificuldades, mas também diante de novas oportunidades, se nos mantivermos atados a uma linguagem jurídica para proclamar a beleza da comunhão matrimonial, estaremos, sem querer, fazendo o jogo do "inimigo". E pensar que a única resposta possível para a "crise matrimonial” seja hoje a procura de um "vício original do consentimento" — ou o desinteresse em relação ao ato sexual na segunda união — significa permanecer fixo em categorias e atitudes agora incompatíveis com a maioria das consciências contemporâneas. Os únicos a serem "garantidos" por este método são os bispos e os padres — além da comitiva inevitável de clérigos seculares, que não faltam jamais. Abandonar a autorreferencialidade significa entender que o objetivo dos seus maus hábitos não é o objetivo nem da Igreja, nem de Deus. A expressão "ou Deus ou nada" — pequena concentração de fundamentalismo — demonstra o medo e uma grave incompreensão da história e da vida.

“Francisco parecia calmo e quase se divertia. Sem subestimar os complôs, ele parece vivenciar tudo isso de forma distante, preocupado com outras coisas, muito mais essenciais

IHU On-Line - Qual sua leitura dos “acontecimentos paralelos” ao Sínodo que tiveram grande destaque na imprensa internacional (a carta dos 13, a publicação da notícia de um suposto câncer do Papa e o fato de o padre polonês Krysztof Olaf Charamsa vir a público assumir sua homossexualidade)? O que eles significam para além do encontro?

Andrea Grillo - Esses fatos são indícios sérios que provam que o establishment eclesiástico, onde é exercido o poder real, tem medo das reformas de Francisco e também manifesta de modo desorganizado a sua "mala educación". O medo se manifesta de maneiras diferentes, de forma rude ou orgulhosa. Escrever uma carta ao papa com antecedência, para evitar que certas coisas aconteçam no Sínodo ou para desafiar a sua abordagem é um sinal de medo e covardia daqueles que temem a comparação e sofrem quando perdem o poder. Tendo sido os cardeais, somente piora a situação.

Os outros “eventos” — confissões e diagnósticos — pertencem a um gênero “misto”, em que as histórias pessoais e as mitomanias se entrelaçam e são cúmplices. O medo leva à confusão. Mas com tudo isto Francisco parecia calmo e quase se divertia. Sem subestimar os complôs, ele parece vivenciar tudo isso de forma distante, preocupado com outras coisas, muito mais essenciais. Se pensarmos que, enquanto estes cardeais sem nenhuma autoridade moral e eclesiástica ficam à mercê destes jogos miseráveis de poder, existem pessoas que migram, crianças que morrem no mar, vidas sofridas e sem esperança, podemos entender a dureza e a franqueza das palavras do Papa Francisco quando ele terminou a Assembleia, olhando de forma profética para um lugar longe dali.

IHU On-Line - Quais os desafios do pontificado pós-sínodo?

Andrea Grillo - O pós-sínodo é mais um avanço, que identificaria em três níveis: de um lado uma "prática das nomeações episcopais" que ajudarão a mudar a lógica da "pastoral ordinária". Uma parte dos problemas do Sínodo deriva de uma "política" das nomeações episcopais intencionalmente modestas. Se você escolher como bispos os sacerdotes "carreiristas", dificilmente ouvirá intervenções significativas sobre problemas reais...

Sob outro aspecto, a "continuação do Sínodo" levará a um documento (Exortação ou Encíclica) com o qual a teologia da família será traduzida em uma nova linguagem, corajosa e leal, audaciosa e a serviço de uma verdadeira comunicação da fé. Enfim o Jubileu , já iminente, reunirá a força de misericórdia e permitirá na lógica do Ano Santo, que se suportem as "exceções", como uma regra mais profunda e verdadeira. Será, creio eu, o espaço de uma verdadeira conversão da autorreferencialidade.

  

“O Jubileu será o espaço de uma verdadeira conversão da autorreferencialidade

IHU On-Line - Deseja acrescentar algo?

Andrea Grillo - Eu gostaria de acrescentar uma consideração de caráter geral: por muito tempo a imprensa quis apresentar o debate sinodal como uma "competição" entre os bispos que queriam permanecer fiéis à tradição e os bispos que queriam se emancipar. Esta representação é falsa. Na verdade, trata-se de bispos que vivem a comunhão da doutrina, mas que se diferem na forma como iriam traduzir a doutrina comum em disciplina. Alguns se iludem que a atual disciplina vigente pode ficar indiferente à história e à sociedade. Este é um erro de perspectiva, que desqualifica a tarefa "pastoral" dos bispos.

Nestes casos, quando esse sentimento prevalece, os Bispos confessam a "impotência" que parece suspeita e a projeção de uma inadequada compreensão não só da realidade humana, mas do próprio Evangelho. O fato de que o Sínodo, no final, não está fechado para o novo, é um grande sinal de esperança e de visão que o Papa Francisco deixa, de forma sábia e profética. Tenho certeza disso.

Por João Vitor Santos | Tradução Sandra Dall'Onder

Notas:

[1] Sínodo da Família: em 2013 o papa Francisco convocou o Sínodo sobre a família, intitulado "Sínodo dos Bispos: os desafios pastorais da família no contexto da evangelização". Na primeira etapa, o Vaticano enviou às dioceses do mundo todo um questionário de 38 perguntas sobre o tema, que serviu como um documento preparatório para a III Assembleia Geral Extaordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família, que ocorreu em outubro de 2014. Durante a III Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, foi produzido um texto com 46 pontos a serem refletidos pela comunidade católica. Todo esse processo culminou na XIV Assembleia Geral Ordinária, que ocorreu entre 4 e 25 de outubro de 2015, no Vaticano. O discurso do Papa Francisco aos bispos pode ser conferido pelo link http://bit.ly/1kQWt60. O sítio do Instituto Humanitas Unisinos - IHU também vem publicando uma série de materiais acerca do Sínodo que pode ser acessado em ihu.unisinos.br. (Nota da IHU On-Line)

[2] João Paulo II (1920-2005): Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana de 16 de outubro de 1978 até o ano da sua morte, sucedeu ao Papa João Paulo I, tornando-se o primeiro Papa não italiano em 450 anos. (Nota da IHU On-Line)

[3] Concílio Vaticano II: convocado no dia 11-11-1962 pelo Papa João XXIII. Ocorreram quatro sessões, uma em cada ano. Seu encerramento deu-se a 08-12-1965, pelo Papa Paulo VI. A revisão proposta por este Concílio estava centrada na visão da Igreja como uma congregação de fé, substituindo a concepção hierárquica do Concílio anterior, que declarara a infalibilidade papal. As transformações que introduziu foram no sentido da democratização dos ritos, como a missa rezada em vernáculo, aproximando a Igreja dos fiéis dos diferentes países. Este Concílio encontrou resistência dos setores conservadores da Igreja, defensores da hierarquia e do dogma estrito, e seus frutos foram, aos poucos, esvaziados, retornando a Igreja à estrutura rígida preconizada pelo Concílio Vaticano I. O Instituto Humanitas Unisinos - IHU produziu a edição 297, Karl Rahner e a ruptura do Vaticano II, de 15-06-2009, disponível em http://bit.ly/o2e8cX, bem como a edição 401, de 03-09-2012, intitulada Concílio Vaticano II. 50 anos depois, disponível em http://bit.ly/REokjn, e a edição 425, de 01-07-2013, intitulada O Concílio Vaticano II como evento dialógico. Um olhar a partir de Mikhail Bakhtin e seu Círculo,disponível em http://bit.ly/1cUUZfC. Em 2015, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU promoveu o colóquio O Concílio Vaticano II: 50 anos depois. A Igreja no contexto das transformações tecnocientíficas e socioculturais da contemporaneidade. As repercussões do evento podem ser conferidas na IHU On-Line, edição 466, de 01-06-2015, disponível em http://bit.ly/1IfYpJ2 e também em Notícias do Dia no sítio IHU. (Nota da IHU On-Line)

[4] Bento XVI, nascido Joseph Aloisius Ratzinger (1927): foi papa da Igreja Católica e bispo de Roma de 19 de abril de 2005 a 28 de fevereiro de 2013, quando oficializou sua abdicação. Desde sua renúncia é Bispo emérito da Diocese de Roma, foi eleito, no conclave de 2005, o 265º Papa, com a idade de 78 anos e três dias, sendo o sucessor de João Paulo II e sendo sucedido por Francisco. (Nota da IHU On-Line)

[5] Casti Connubii: encíclica promulgada pelo Papa Pio XI em 31 de dezembro de 1930. Reitera a santidade do matrimônio e proíbe aos católicos o uso de qualquer forma artificial de controle de natalidade e reafirma a proibição do aborto. Explana ainda sobre a autoridade da doutrina da Igreja em questões morais e advoga a cooperação entre o poder civil e a Igreja. (Nota da IHU On-Line)

[6] Pio XI (1857-1939): nascido Ambrogio Damiano Achille Ratti, foi Papa entre 6 de fevereiro de 1922 e a data da sua morte. (Nota da IHU On-Line)

[7] Familiaris consortio: Exortação Apostólica, do Papa João Paulo II, de 22 de novembro de 1981, "sobre a função da família cristã no mundo de hoje". O documento foi editado após a realização do Sínodo dos Bispos celebrado em Roma de 26 de Setembro a 25 de Outubro de 1980. (Nota da IHU On-Line)

[8] Sigmund Freud (1856-1939): neurologista, fundador da psicanálise. Interessou-se, inicialmente, pela histeria e, tendo como método a hipnose, estudou pessoas que apresentavam esse quadro. Mais tarde, interessado pelo inconsciente e pelas pulsões, foi influenciado por Charcot e Leibniz, abandonando a hipnose em favor da associação livre. Estes elementos tornaram-se bases da psicanálise. Freud nos trouxe a ideia de que somos movidos pelo inconsciente. Freud, suas teorias e o tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX, e continuam ainda muito debatidos hoje. A edição 179 da IHU On-Line, de 08-05-2006, dedicou-lhe o tema de capa sob o título Sigmund Freud. Mestre da suspeita, disponível em http://bit.ly/ihuon179. A edição 207, de 04-12-2006, tem como tema de capa Freud e a religião, disponível em http://bit.ly/ihuon207. A edição 16 dos Cadernos IHU em formação tem como título Quer entender a modernidade? Freud explica, disponível em http://bit.ly/ihuem16. (Nota da IHU On-Line)

[9] João XXIII (1881-1963): nascido Angelo Giuseppe Roncalli. Foi Papa de 28-10-1958 até a data da sua morte. Considerado um papa de transição, depois do longo pontificado de Pio XII, convocou o Concílio Vaticano II. Conhecido como o "Papa Bom", João XXIII foi canonizado em 2013 pelo Papa Francisco. (Nota da IHU On-Line)

[10] Julbileu da Misericórdia (Ano Jubilar): Anunciado pelo Papa Francisco em 13 de março de 2015, o “jubileu extraordinário” é centrado na “misericórdia de Deus”. Terá início a 8 de dezembro deste ano e percorrerá todo o ano de 2016. O Ano Jubilar é uma comemoração religiosa da Igreja Católica, celebrada dentro de um Ano Santo, mas o que difere deste é que a celebração jubilar é feita de 25 em 25 anos. A celebração cristã se fundamenta na Bíblia, tanto no Antigo Testamento, de onde temos a tradição judaica como no Novo Testamento. (Nota da IHU On-Line)

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